Resiliência Imunológica
Alergias e Desregulação Imunológica em Crianças
Revisão médica: Dr. Thiago Cavalcante, NMD Como revisamos
Revisão da tradução: Dr. Thiago Cavalcante, NMD

A resposta curta
As alergias acontecem quando o sistema imunológico reage a algo inofensivo — um alimento, pólen, ácaros ou pelos de animais. Em muitas crianças, as doenças alérgicas aparecem em uma sequência reconhecível, que muitas vezes começa com o eczema. Parte disso pode ser prevenida, principalmente a alergia ao amendoim, com a introdução precoce. Um diagnóstico preciso importa, porque os populares testes de “sensibilidade alimentar” costumam levar as famílias a cortar alimentos sem nenhum benefício.
A “marcha atópica”
Os médicos chamam de marcha atópica o padrão em que o eczema nos primeiros meses de vida é seguido por alergia alimentar e, mais tarde, em algumas crianças, por rinite alérgica e asma (Hill & Spergel, 2018). Nem toda criança segue esse caminho, e não se trata de uma sequência fixa, mas isso explica por que um bebê com eczema importante merece atenção tanto à pele quanto à alimentação.
A barreira da pele importa
No eczema, a barreira da pele é mais frágil, e os alérgenos conseguem entrar por ela. Acredita-se que o contato com um alimento pela pele inflamada favorece a alergia, enquanto comê-lo regularmente favorece a tolerância (Hill & Spergel, 2018). Tratar bem o eczema — limpeza suave, hidratação regular e o tratamento prescrito para as crises — faz parte da prevenção de alergias, não é só cuidado com a pele.
A introdução precoce pode prevenir a alergia ao amendoim
No estudo LEAP, bebês de alto risco que começaram a comer amendoim regularmente entre 4 e 11 meses tiveram muito menos chance de ter alergia ao amendoim aos cinco anos: 1,9% contra 13,7% dos que evitaram o amendoim (Du Toit et al., 2015). As diretrizes dos Estados Unidos agora recomendam introduzir o amendoim cedo — já entre 4 e 6 meses para bebês de alto risco, após uma avaliação; por volta dos 6 meses para bebês com eczema leve a moderado; e junto com os demais alimentos para todos os outros (Togias et al., 2017).
Um diagnóstico correto
- A alergia alimentar é diagnosticada pela história de uma reação, junto com testes cutâneos ou de sangue (IgE) direcionados e, às vezes, um teste de provocação supervisionado. Um teste positivo sem sintomas não prova alergia.
- Os painéis de IgG de “sensibilidade alimentar” não são recomendados para diagnosticar alergia ou intolerância alimentar. A IgG contra alimentos reflete exposição e tolerância normais, não doença (Stapel et al., 2008).
- Evitar alimentos sem necessidade tem custos: carências nutricionais, estresse em torno da comida e, no caso de alimentos como o amendoim, possivelmente uma chance maior de desenvolver alergia mais tarde.
Convivendo com as alergias
- Se seu filho tem epinefrina prescrita, leve sempre dois autoinjetores, tenha um plano de ação por escrito e garanta que a equipe da escola e os cuidadores saibam usá-los.
- Para a rinite alérgica, limite a exposição nos horários de mais pólen, use lavagem nasal com soro fisiológico e os medicamentos recomendados pelo seu médico.
- Para ácaros e animais, concentre-se no quarto: roupa de cama lavável, capas para colchão e travesseiro, e manter os animais fora do quarto se a sensibilidade for confirmada.
- Não tire um alimento “por precaução” sem um plano para confirmar o diagnóstico.
Quando ligar para o 911 ou para o pediatra
Ligue para o 911, e use a epinefrina se ela foi prescrita, diante de sinais de anafilaxia: dificuldade para respirar, chiado, aperto na garganta ou voz rouca, inchaço dos lábios ou da língua, vômitos repetidos, ou uma criança que fica pálida, mole ou desmaia depois de comer ou de uma picada de inseto.
Ligue para o pediatra em caso de:
- Urticária ou vômito depois de um alimento novo, mesmo que leves
- Eczema extenso, infectado ou que não responde ao tratamento
- Chiado, tosse à noite ou dificuldade para respirar com exercício
- Dúvidas sobre como introduzir alimentos alergênicos em um bebê de alto risco
Como uma consulta naturopática pode ajudar
Fazemos uma história clínica cuidadosa, olhamos o quadro alérgico completo — pele, intestino, vias respiratórias e sono — e focamos no que é seguro e eficaz: bom cuidado do eczema, um plano prático para introduzir alimentos e uma nutrição adequada quando a criança realmente precisa evitar alimentos. Não usamos painéis de IgG para diagnosticar alergias. Trabalhamos junto com o seu pediatra e com um alergista certificado, que confirma os diagnósticos e supervisiona os testes de provocação e a imunoterapia.
Conclusões práticas
- Eczema, alergia alimentar, rinite e asma estão ligados; um bom cuidado do eczema faz parte da prevenção.
- Introduza o amendoim e outros alérgenos cedo — após uma avaliação se o bebê tiver eczema grave ou alergia a ovo.
- Dispense os painéis de IgG de sensibilidade alimentar; eles não diagnosticam alergia.
- Se a epinefrina foi prescrita, leve dois autoinjetores, sempre.
Referências de pesquisa
- Hill DA, Spergel JM. The atopic march: Critical evidence and clinical relevance. Ann Allergy Asthma Immunol. 2018;120(2):131-137 https://doi.org/10.1016/j.anai.2017.10.037
- Du Toit G, et al. Randomized trial of peanut consumption in infants at risk for peanut allergy. N Engl J Med. 2015;372(9):803-813 https://doi.org/10.1056/NEJMoa1414850
- Togias A, et al. Addendum guidelines for the prevention of peanut allergy in the United States. J Allergy Clin Immunol. 2017;139(1):29-44 https://doi.org/10.1016/j.jaci.2016.10.010
- Stapel SO, et al. Testing for IgG4 against foods is not recommended as a diagnostic tool: EAACI Task Force Report. Allergy. 2008;63(7):793-796 https://doi.org/10.1111/j.1398-9995.2008.01705.x


